Efeitos da COP 27 para a soja e a pecuária no Brasil
- Diogo Ferreira
- 28 de fev.
- 2 min de leitura
Atualizado: 4 de mai.
A 27ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 27), realizada em Sharm el-Sheikh, no Egito, trouxe importantes discussões e compromissos que impactam diretamente os setores da soja e da pecuária no Brasil, maiores produtores mundiais nessas cadeias.

Compromissos Climáticos e Rastreabilidade
A COP 27 reforçou as exigências internacionais por rastreabilidade e transparência nas cadeias produtivas do agronegócio. Países importadores, especialmente da União Europeia, intensificaram as pressões para que produtos agrícolas como soja e carne bovina sejam certificados como livres de desmatamento, alinhando-se à regulamentação europeia sobre cadeias de suprimento sustentáveis (EUDR).
O Regulamento Europeu sobre Desmatamento (EUDR)
A União Europeia aprovou regulamentação que exige que empresas que colocam no mercado europeu commodities como soja, carne bovina, couro, café, cacau, óleo de palma e madeira comprovem que os produtos não estão associados a desmatamento após 31 de dezembro de 2020. Esse marco normativo, acelerado pelas discussões da COP 27, representa um desafio enorme para exportadores brasileiros que precisam adaptar seus processos de rastreabilidade.
Impactos para os Produtores Brasileiros
Produtores de soja e pecuaristas que exportam para mercados europeus e asiáticos precisarão investir em sistemas de georreferenciamento, certificação de origem e conformidade ambiental. O Código Florestal Brasileiro e o Cadastro Ambiental Rural (CAR) se tornam instrumentos ainda mais estratégicos para demonstrar conformidade. Propriedades com passivos ambientais podem enfrentar restrições de acesso a mercados e crédito rural.
Oportunidades e Estratégias Jurídicas
Por outro lado, os compromissos da COP 27 abrem oportunidades para produtores que já adotam práticas sustentáveis. Mercados de carbono, créditos de biodiversidade e selos ambientais representam novas fontes de receita. Do ponto de vista jurídico, é fundamental que as cadeias produtivas revisem contratos de fornecimento, políticas de compliance ambiental e estratégias de relacionamento com investidores ESG.
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